A IMPORTÂNCIA DA COMPETITIVIDADE NO ESPORTE
Por Paulo Penha – Psicólogo do Esporte @psicologodoesporte.paulopenha
A competitividade é, muitas vezes, mal interpretada no contexto esportivo. Para alguns, ela representa pressão excessiva, comparação constante ou até sofrimento emocional. No entanto, sob uma perspectiva científica e bem orientada, a competitividade é um dos principais motores do desenvolvimento humano e esportivo. Mais do que vencer adversários, competir é um processo de confronto interno, no qual o atleta se depara com seus próprios limites, inseguranças e capacidades de superação (Weinberg e Gould, 2017). Do ponto de vista psicológico, a competitividade está diretamente relacionada à motivação para realização. Indivíduos orientados para a conquista apresentam maior disposição para enfrentar desafios moderados, persistir diante das dificuldades e buscar melhoria contínua. No esporte, isso se traduz em atletas que não apenas treinam, mas se comprometem com o processo de evolução.
A competitividade, nesse sentido, deixa de ser apenas um desejo de vencer e passa a ser um estilo de funcionamento mental voltado ao crescimento. Entretanto, é fundamental diferenciar dois tipos de orientação competitiva: a orientação para o resultado e a orientação para a tarefa. A primeira está centrada na comparação com os outros, é sobre vencer, ser melhor, ganhar reconhecimento. Já a segunda está voltada para o próprio desenvolvimento, é sobre aprender, evoluir, executar melhor. Estudos de John Nicholls (1989), demonstram que atletas orientados para a tarefa apresentam maior estabilidade emocional, menor ansiedade e maior persistência a longo prazo. Isso evidencia que a competitividade saudável não é aquela que depende do outro, mas aquela que impulsiona o atleta a superar a si mesmo. Outro ponto central é a relação entre competitividade e regulação emocional.
Ambientes competitivos naturalmente aumentam os níveis de ativação fisiológica e psicológica, podendo gerar ansiedade, medo de errar e pressão por resultados. E a forma como o atleta interpreta essa ativação é determinante para o desempenho. Quando bem trabalhada, a competitividade transforma a ansiedade em energia funcional e quando mal conduzida, pode gerar bloqueios e queda de rendimento. Nesse cenário, o papel do psicólogo do esporte é fundamental para ensinar o atleta a lidar com a pressão, reinterpretar o erro e manter a estabilidade emocional. Além disso, a competitividade exerce um papel essencial na construção de características psicológicas fundamentais para a vida, como resiliência, disciplina e autoconfiança. Fletcher e Sarkar (2012), destacam que a exposição constante a desafios e adversidades no esporte contribui para o desenvolvimento da resiliência psicológica, especialmente quando o atleta recebe suporte adequado. Ou seja, não é a competição em si que fortalece o indivíduo, mas a forma como ele vivencia e interpreta essas experiências.
No entanto, é preciso cuidado. Quando a competitividade é excessivamente centrada no resultado, ela pode levar ao esgotamento emocional, ao medo constante de falhar e até ao abandono precoce do esporte. Para Gould e Dieffenbach (2002), ambientes altamente pressionadores, sem suporte psicológico, aumentam significativamente os níveis de estresse e reduzem o prazer pela prática esportiva. Portanto, o desafio não é reduzir a competitividade, mas direcioná-la de forma saudável e construtiva. Diante disso, a competitividade deve ser entendida como uma ferramenta de desenvolvimento, e não apenas como um fim. Ela precisa ser educada, orientada e estruturada dentro de um contexto que valorize o processo, o aprendizado e a evolução contínua. Atletas verdadeiramente competitivos não são aqueles que apenas vencem, mas aqueles que conseguem sustentar desempenho, crescer com os erros e manter consistência mesmo sob pressão.
Em última análise, a competitividade é o que diferencia o praticante do atleta e o atleta do competidor de alto nível. Quando bem conduzida, ela não apenas produz vencedores, ela forma indivíduos preparados para enfrentar desafios dentro e fora do esporte.
Um forte abraço à todos, Paulo Penha!!!
Para qualquer dúvida, Paulo Penha está à disposição por meio do Whatsapp no número (41) 99108-4243.
Referências Fletcher, D., & Sarkar, M. (2012). Psychological resilience in sport performers. Gould, D., & Dieffenbach, K. (2002). Overtraining, under-recovery, and burnout in sport. Nicholls, J. G. (1989). The Competitive Ethos and Democratic Education. Weinberg, R., & Gould, D. (2017). Foundations of Sport and Exercise Psychology.
Profº MSc. Psicólogo Paulo Penha de Souza Filho
Paulo Penha de Souza Filho é formado como Psicólogo, Mestre em Distúrbios da Comunicação, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Psicologia do Esporte e Especialista em Psicopedagogia.
Gerente de Saúde Esportiva na Psiccom Saúde Integral (PSICCOM), onde também atende clinicamente. Professor em cursos de pós-graduação e Palestrante. Coordenador do Grupo de Estudos em Ciências do Esporte (GECE). Membro Diretor da Associação de Psicologia do Esporte do Paraná (APEP).
Trabalha em clubes, academias, e no consultório com atletas amadores, profissionais e olímpicos.
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