Namoro no esporte

Paulo Penha de Souza Filho
26/05/2022

COLUNA: PSICOLOGIA DO ESPORTE

Namoro no esporte

@psicologodoesporte.paulopenha


Ao longo dos anos ouço e trabalho com muita frequência com o tema do namoro no contexto esportivo. Muitos pais de jovens atletas se questionam sobre se é bom ou não seus filhos atletas namorarem, assim como técnicos em que alguns são extremamente firmes e rígidos quanto ao tema e são categóricos ao dizerem que seus atletas não podem namorar. Temos também exemplos de atletas casados, e também exemplos de exatamente o oposto, atletas que não se relacionam amorosamente com ninguém.


           Principalmente quando falamos sobre relacionamento amoroso. Uma coisa que devemos ficar atentos antes de tudo, é sobre a pessoa, sobre o atleta em questão. Qual a necessidade que ele tem? O porquê. Ele ou ela está namorando?, O que se busca?. E se aí sim; a relação amorosa em que ele/ela está envolvido é boa?, ela é saudável?


Algo que sempre falo, é que a vida do atleta tem que estar em equilíbrio. Então uma coisa sempre digo, o atleta sente quando tem alguma coisa que não está boa na sua vida, uma hora ela vai aparecer, uma hora ela vai estourar, isso ocorre com muita frequência nos relacionamentos sociais, amizades, assim como também nos relacionamentos familiares, principalmente com os atletas mais novos ainda crianças e adolescentes.


Na fase de transição para início da adolescência, não possuímos apenas necessidades sociais, mas vão surgindo também outros desejos como de ser ter parceiros, de estarmos com pessoas com que queremos compartilham os principais momentos de nossas vidas, nossa intimidade de uma maneira muito mais profunda do que uma amizade.

O relacionamento amoroso faz parte do ser humano. Nós humanos, somo seres biopsicossociais, e gostamos de amar e sermos amados. Então negar a nossa existência, negar a nossa genética, e negar os nossos instintos mais primários é o começo de algo que começa a nos corroer internamente.


Será que não pode? Eu trabalho a bastante tempo, quase duas décadas no meio esportivo e há um consenso entre comissão técnica. O ideal é que não haja um namoro na fase da adolescência, mas ao mesmo tempo o técnico sabe que acontece.


Existem melhores formas de se lidar com a situação, então o consenso hoje é que caso esses relacionamentos ocorram, que eles não atrapalhem os treinos, que não haja uma interferência negativa na produtividade do atleta tanto em treinos e competições.


Se observarmos por esse ângulo poderemos perceber que não há um estímulo, mas sim há uma compreensão da necessidade que o atleta tem de se relacionar, de amar, de se sentir amado, de relaxar nos seus momentos de folga, isso é muito importante e faz parte do ser humano.


Então quando pais veem um filho, uma filha que está namorando que está se relacionando devem começar a olhar primeiro o aspecto de se essa relação faz bem para o atleta como pessoa e aí depois se isso interfere ou não nos treinos e nos estudos.


Relações soltas, superficiais no contexto esportivo são voláteis e perigosas por gerar instabilidade emocional e/ou na rotina do atleta, mas um namoro sólido pode ser interessante sim. No namoro pode-se criar uma estabilidade desde que também não haja um exagero nessa relação onde, por exemplo, o parceiro ou a parceira do atleta falem “poxa, oh!! você vai ter treinar de novo?”, “ você vai competir e o nosso final de semana como fica?”, “agente nunca pode fazer nada”, “a gente nunca pode passear”, “a gente não pode viajar”, etc. O parceiro/a devem entender que a vida e a rotina de um atleta é diferente, e o atleta tem por obrigação explicar isso, no “contrato inicial”, isso é, no início da relação.


A vida, a rotina de um atleta é diferente. Os atletas deverão deixar claro para seus parceiros como será a relação, quais as limitações, e então verificar se aceitam que a relação seja dessa forma. O atleta deve deixar claro que possui um grande plano dentro do esporte e que não quer abdicar desse sonho. E caso seja aceito dessa forma, o atleta deverá inserir a relação na sua rotina, com momentos especiais pra estar com a pessoa, para, por exemplo, jantar fora, ir ao cinema, passear, viajar, mas tem que ser de acordo com o seu cronograma de treinos e calendário de jogos.


               Então vejam que a questão de ter parceiros dentro do esporte, namoros, relacionamentos mais sérios não é um problema. Mas se torna um problema, se o atleta não souber gerenciar, a família pode auxiliar o atleta nesse sentido, auxiliando o atleta a manejar corretamente o tempo investido nessa relação no seu dia-a-dia, conciliando treinos, estudos, tempo com a família e mais o namoro.


O técnico deve ser muito firme. Primeiro, se esse relacionamento não está levando o atleta para os “maus” caminhos, por exemplo, onde o parceiro, a parceira gosta de sair no final de semana, e acaba consumindo bebida alcoólica, desvirtuando o condicionamento adequado de um atleta que deseja atingir alta performance. Nesses casos aí sim é interessante realmente o técnico pontuar sobre o relacionamento amoro e como está o comportamento do atleta fora dos treinos. O objetivo principal é que o rendimento do atleta não caia quando começa essa relação.


E isso é um tipo de acerto que o atleta tem que fazer com técnico e o técnico tem que fazer com o atleta. A proibição é algo que vai gerando angústia, corrói realmente as relações, e o vínculo que há entre o técnico e o atleta, porque o atleta instintualmente se relacionará com alguém realmente quando quiser se relacionar, e muitas vezes acabará omitindo e/ou mentindo para seu técnico, mentindo para família e essa situação não se tornam boas para ninguém.


Em casos específicos em que um namoro está de alguma forma inadequado o Psicólogo deverá trabalhar individualmente essa questão com o atleta. Mas de maneira geral o namoro ele agrega ao atleta, que se sente mais completo, com mais um aspecto da vida dele suprido com sucesso, com mais força e com mais potência pra poder realizar o que deseja.


Lembre-se não estamos falando de se estimular os atletas a terem relacionamentos, não é isso. Mas sim, os atletas que desejam ter um relacionamento poderem se sentir no direito de tê-los, desde que é óbvio, controlando os aspectos que eu já comentei anteriormente, e mantendo eles em ordem, com compromisso e disciplina durante os seus treinos e competições.


Um Grande abraço.

Paulo Penha.

Para qualquer dúvida, Paulo Penha está à disposição por meio do Whatsapp (41)99108-4243.


Paulo Penha de Souza Filho

Psicólogo

Profº MSc. Psicólogo Paulo Penha de Souza Filho


Paulo Penha de Souza Filho é formado como Psicólogo, Mestre em Distúrbios da Comunicação, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Psicologia do Esporte e Especialista em Psicopedagogia , além de cursar o MBA Executivo em Gestão de Negócio.


Gerente de Saúde Esportiva na Psiccom Saúde Integral (PSICCOM), onde também atende clinicamente. Professor em cursos de pós-graduação e Palestrante. Coordenador do Grupo de Estudos em Ciências do Esporte (GECE). Integrante da Comissão de Psicologia do Esporte do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-08) e Membro Diretor da Associação de Psicologia do Esporte do Paraná (APEP).


Trabalha em clubes, academias, e no consultório com atletas amadores, profissionais e olímpicos.


Instagram: @psicologodoesporte.paulopenha


Fone: 41- 991084243


email: paulopenha@psiccom.com


Currículo Lattes: Link Lattes: http://lattes.cnpq.br/6354183003893876



Acesse também

CADASTRE-SE EM NOSSA NEWSLETTER

Quer receber conteúdos exclusivos e em primeira mão diretamente no seu e-mail?

Nós não enviamos spam

RÁDIO-TV PSICCOM

ACOMPANHE OS PROGRAMAS

2222 - PSICCOM. Desenvolvido por Cazoolo para inspirar novas conexões